terça-feira, 24 de julho de 2007

a primeira e curta entrevista


Trechos da entrevista com o psicanalista paulista José Angelo Gaiarsa. O médico austríaco Wilhelm Reich (1897-1957) é seu cientista preferido.
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Depois de todos esses anos, o senhor conseguiu entender um pouco mais a mulher, e o que nos dá prazer?
Não [risos]. Olha, achar que homem e mulher têm sexos parecidos é a maior imbecilidade do planeta. “Ah, eu tenho orgasmo toda vez”, elas dizem na cara do garotão. A idéia geral de que devo ter orgasmos fica subtendida como o dele, e, como o dele é carnavalesco, ela acaba imitando o inconsciente involuntário. Pode até sentir alguma coisa boa, não é que não, mas ela está seguindo uma indicação de orgasmo que não é dela. É: “Não quero ser a inferior, posso me divertir tanto quanto ele”.Mas para a mulher sexo ainda é mais tabu do que para o homem.Se uma mulher segue seu destino, se desde pequena ela brinca, se aprende a se masturbar com arte, não. Não é assim: “Vou depressa para acabar”. É: “Deixe-me sentir tudo o que posso sentir”.
No relatório Hite [estudo sobre a sexualidade feminina, publicado em 1976, e que causou impacto na época porque continha revelações como a que dizia que o clitóris é o ponto-chave do prazer feminino] tem relatos de mulheres que aprendem a se masturbar e tem estados orgásticos durante o tempo que quiserem, o que jamais aconteceria com o homem, a não ser que ele faça um curso de ioga tântrica na Índia de 5000 anos atrás [risos]. O homem vai e acaba. Fim. Chega uma explosão e depois brocha, fica a zero. Eles falam muito, mas a maioria dos homens dá uma e pára. E dorme [risos]. É clássico. E ela se irrita. Ela é muito mais difícil de acordar, mas se é bem acordada tem possibilidade de estados orgásmicos intermináveis.
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Tecnicamente as mulheres podem sentir mais do que os homens?
Querida, segundo a ioga milenar, sexo era uma arte elaboradíssima, em que o homem tentava aprender com a mulher como é que ela tinha tanto prazer. O homem tentava imitá-la. O homem pode ir treinando segurar, segurar, segurar e demorar muito tempo. Tudo isso é mais ou menos bem estabelecido, meio falado, mas muito pouco feito. Em primeiro lugar você precisa ter com quem. E admitir o que ninguém admite: “Olha, eu não sei como é, não sei nada, estou cheio de vícios e você também. Vamos tentar reaprender?”. Precisa ter alguém que tenha coragem para dizer: “Não sei nada, vamos começar do começo”.


E o casamento é uma prisão? Nem discuto isso porque para mim é a coisa mais evidente do mundo. Aliás, você jura diante de Deus, das testemunhas, que vai amar até o fim da vida. Não tem cabimento uma coisa dessas.

E isso é impossível? Não acho impossível, mas acho impossível jurar isso. Como é que posso prometer uma coisa dessas? Tinha que ser: “Estou amando você, vamos fazer força para durar”. Agora, “Juro que vai durar a vida toda?”. É a repressão matrimonial. Ou seja, falamos da repressão sexual e agora da matrimonial, que é seguida pela repressão maternal.


Fonte: TPM number 48.
Obra de Yuroz.

Um comentário:

Anônimo disse...

sem comentários. admiro o gaiarsa. me lembro que ele começou essa entrevista assim: Vc gozou hj? E, o melhor: Foi bom?.. rsrs. Adorei! Podia postar essa entrevista inteira!