segunda-feira, 10 de setembro de 2007

frio na espinha


nas ondas sonoras dos acordes


eu vou para distante dos meus velhos pensamentos


vou descer pelo ralo da vida de uma vez por todas,


e viver de fato a minha própria identidade.




leandro carmelini

festa estranha com gente esquisita





Foto: Cazuza fala para Russo.

segredos de liquidificador



quem sabe o príncipe virou um chato
que vive dando no meu saco.


quem sabe a vida é não sonhar?


eu só peço a Deus um pouco de malandragem!
pois sou criança... e não conheço a verdade.


eu sou poeta e não aprendi a amar...





Cazuza/Frejat.
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tão malhada essa canção e, no entanto...
diz tudo sobre mim neste momento.
deixo aqui alguns trechos que chegam
rasgando o meu coração.
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é cazuza, para variar.

e ir onde o vento for...






Eu encontrei quando não quis mais procurar o meu amor
e quanto levou foi pra eu merecer antes um mês e eu já não sei...
e até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei
e ninguém dirá que é tarde demais, que é tão diferente assim
do nosso amor a gente é que sabe

Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém afim de te acompanhar
e se o caso for de ir à praia, eu levo essa casa numa sacola




Último Romance (Rodrigo Amarante)
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outra música malhada que, num relance de luz
ouvi de um carro no posto de gasolina
o dono, formoso, me olhava fixamente
porém eu ainda não estava ali para retribuir.
mas... como me fez bem!

terça-feira, 21 de agosto de 2007

esqueça o cotovelo


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Em caso de dor, ponha gelo
Mude o corte do cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo
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Esqueça seu cotovelo
Se amargo for já ter sido
Troque já este vestido
Troque o padrão do tecido

Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada milágrimas sai um milagre
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Em caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa
Coma somente a cereja
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Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra apenas, viva apenas
Sendo só fissura, ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
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Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço
A cada milágrimas sai um milagre
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Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre
A cada milágrimas sai um milagre.


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Itamar Assumpção

Foo Fighters - Dave.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

teste da sombra




Obturação, é da amarela que eu ponho.
Pimenta e cravo, mastigo à boca nua.
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Amor, tem que falar meu bem,
me dar caixa de música de presente,
conhecer vários tons pra uma palavra só.
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Espírito, se for de Deus, eu adoro.
Se for de homem, eu testo.
Fico gostando ou perdôo.
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Procuro sol, porque sou bicho de corpo.
Sombra terei depois, a mais fria.


Adélia Prado






quinta-feira, 16 de agosto de 2007

... e a terra se abre.




Tem gente que tem o costume de vazar pelos cantos.
No começo vaza calada, aos poucos, aos pingos.
Mas se pega gosto principia o derrame.
Escorre quando fala, escorre quando anda.
Não tem mais braço nem cabelo que segure.

Parece que vicia em ficar transbordada.


Mas tem outra que quando transborda é pra dentro.
E corre o risco de ficar represada.
E represa você sabe, se aumenta muito arrebenta.
Mas se a pessoa ensaia um jeito de derramar pra fora.
Aí vai fazendo leito, vai abrindo seu caminho na terra.
E a terra parece que se abre pra ela passar.

As vezes não.




Viviane Mosé
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Foto Annie Leibovitz

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

CEP 20.000


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na porta lá de casa
tem dizendo lar romi lar
uma bandeira de papel
na porta lá de casa


as crianças passam
e se atiram no chão
e se olham por dentro
das bocas das palavras
na falta de qualquer espelho

na porta lá de casa
passa o amor o calor
de cada um que passa
na porta lá de casa.


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Chacal.
Foto Kirsten_Marie Antoniette

nirvana


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"Oh! Sejamos pornográficos
(docemente pornográficos)”
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Drummond
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Desenho Vânia Mignone.Brasil.

poema do básico


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quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta minha adolescência

vou largar da vida louca e terminar minha livre docência
vou fazer o que meu pai quer começar a vida com passo perfeito
vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades de virar
um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito
então ver tudo em sã consciência

quando acabar esta adolescência.


Paulo Leminski
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Foto:Paul Poiret. Desfile NY

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Suor


Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.

Antes, o cotidiano era um pensar alturas
buscando aquele outro decantado.
Surdo à minha humana ladradura
visgo e suor, pois nunca se faziam.

Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
tomas-me o corpo e que descanso me dás
depois das lidas.

Extasiada, fodo contigo.
Ao invés de ganir
diante do Nada.


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Hilda Hilst

Foto. Pearl Jam.

terça-feira, 31 de julho de 2007

A Lucidez Perigosa



Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar?

... assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço.

Além do que: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes. Pois sei que - em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade - essa clareza de realidade é um risco.


Clarice Lispector
Cenário do desfile de Paul Poiret. NY.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

acho muito pouco o que tenho no bolso



As pessoas têm que acreditar
em forças invisíveis pra fazer o bem
Tudo que se vê não é suficiente
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E a gente sempre invoca o nome de alguém
Acho muito caro o que ele tá pedindo
Pra eu ter muito mais sorte e menos azar
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Acho muito pouco o que tenho no bolso
Pra ver o sol nascer não tem que pagar
É certo que o milagre pode até existir
Mas você não vai querer usar
Toda cura para todo mal
Está no Hipoglós, Merthiolate e Sonrisal
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Quem tem a paz como meta
Quem quer um pouco de paz
Que tire o reboque que espeta
O carro de quem vem atrás
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Pato Fú.
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Foto Vogue NY.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

tudo sim, até o seu não


copo de café sujo,como a minha mente sem pudor,
teu corpo pelado em tudo que reluz,
o sexo indiscreto em tudo que seduz.
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tudo me seduz, até o frio do teu coração.
acenda a luz, meu amor, para que reluzas melhor todo o teu calor.
copo de água reluzente, como tua roupa imaginária,
teu corpo moldado de segredo, meus olhos inquietos de desejo.tudo me seduz,
até o pior do seu humor,
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apague a luz se quiser, meu amor, para que o pudor se esconda,
e você apareça por inteira.
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Leandro Carmelini
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Foto Naomi Vogue Brasil

... do amor que renasce




Eu te amo.

De todos os nossos montes fico com as encostas.

De todas as nossas indagações fico com as respostas.

De todas as nossas destilairias fico com as alegrias.

De todos os nossos natais fico com as bonecas.

De todos os nossos cardumes, as moquecas.
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Elisa Lucinda.
Foto Grupo Corpo - Brasil

para o amor de longe, cada vez mais perto




Eu só falo de mim, só falo dele. Mas, se eu tenho propriedade pra falar de alguma coisa aqui é sobre nós dois mesmo. Não querendo ser egoísta a ponto de ignorar as coisas que acontecem no mundo, mas isso a gente vê/lê/ouve nos jornais todos os dias. Aqui eu quero só o que já tem.

Já que não dá pra ter doses diárias dele em si, com a melhor presença, companhia, carinhos e beijos deliciosos, atenção, amor e sorriso mais lindo do mundo que ele esbanja quando estamos juntos e grudados, a gente encontra sempre um meio de tentar matar essa saudade, seja falando várias vezes por dia no telefone, gtalk dia todo, postando fotos gostosas da gente, assistindo vídeos da gente juntos e sempre contando os dias pra nos vermos novamente.

É uma saudade que não tem começo nem fim, é uma saudade que reproduz lembranças como se fossem cenas de filme na mente. E como já dissemos várias vezes, é um amor tão gostoso, tão sincero, que apareceu e cresceu tão 'do nada', que parece muito amor de cinema. Perfeito pensar que os protagonistas somos nós e pra nós é a história mais bonita.


O que estamos vivendo é único e é amor pra vida toda, falo isso sem medo de errar. O tempo vai dar um jeito em muita coisa e a gente vai traçando nosso caminho com muito amor e paciência, tudo bem do nosso jeitinho, pra que tudo se resolva e a gente seja feliz, sim, pra sempre.


Te amo Ramon. Quero seu colo/carinho/cuidado/abraço e amor pra sempre.

Maressa.
Foto Ramon. ES.Brasil

terça-feira, 24 de julho de 2007

despertar


Querido bode preto, depois de conversar com amigos, botar pra fora o que estava sentindo e rogado aos céus dias melhores, hoje amanheci bem melhor. Obrigada.

remember



"Remember me when you're the one who's silver screened. Remember me when you're the one you always dreamed. Remember me when whenever noses start to bleed. Remember me, special needs".
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Placebo.

amar, verbo intransitivo







Além daquele que olha o amor com a dor que lhe restou há alguém que ainda crê no amor (ainda que seja seu crítico).
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Talvez o amor não tenha sido a parte feliz de sua sina e é melhor analisá-lo racionalmente como qualquer objeto. Nele pesa a voz de ilusão do amor a uma promessa ideal. Algo que faz duvidar dele. Ainda que ao duvidar se esteja buscando chegar, de algum modo, perto do amor.

Só a dúvida poderia nos levar a ter esperança de, algum dia, chegar à certeza. O que há de mais certo sobre o amor, é, todavia, que ele é plenamente incerto. Mesmo assim pensar nele é uma prazer mais que romântico.
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Neste caso, como palavra, o amor é menos substantivo e mais verbo. Intransitivo, o que simplesmente é e não se conjuga, como no título do romance escrito em 1923 por Mário de Andrade “Amar, verbo intransitivo”. Ama-se o amor, mais do que alguém que amar. Quer-se amar, amar é preciso, mais do que saber o que é o amor. Definir o amor é o que menos importa. Neste título, porém, há uma definição do amor, a de que ele é um sentimento que se vive, não importa quando, nem onde, nem em relação a quê.
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Márcia Tiburi.
Foto Kate Moss. Londres.

a primeira e curta entrevista


Trechos da entrevista com o psicanalista paulista José Angelo Gaiarsa. O médico austríaco Wilhelm Reich (1897-1957) é seu cientista preferido.
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Depois de todos esses anos, o senhor conseguiu entender um pouco mais a mulher, e o que nos dá prazer?
Não [risos]. Olha, achar que homem e mulher têm sexos parecidos é a maior imbecilidade do planeta. “Ah, eu tenho orgasmo toda vez”, elas dizem na cara do garotão. A idéia geral de que devo ter orgasmos fica subtendida como o dele, e, como o dele é carnavalesco, ela acaba imitando o inconsciente involuntário. Pode até sentir alguma coisa boa, não é que não, mas ela está seguindo uma indicação de orgasmo que não é dela. É: “Não quero ser a inferior, posso me divertir tanto quanto ele”.Mas para a mulher sexo ainda é mais tabu do que para o homem.Se uma mulher segue seu destino, se desde pequena ela brinca, se aprende a se masturbar com arte, não. Não é assim: “Vou depressa para acabar”. É: “Deixe-me sentir tudo o que posso sentir”.
No relatório Hite [estudo sobre a sexualidade feminina, publicado em 1976, e que causou impacto na época porque continha revelações como a que dizia que o clitóris é o ponto-chave do prazer feminino] tem relatos de mulheres que aprendem a se masturbar e tem estados orgásticos durante o tempo que quiserem, o que jamais aconteceria com o homem, a não ser que ele faça um curso de ioga tântrica na Índia de 5000 anos atrás [risos]. O homem vai e acaba. Fim. Chega uma explosão e depois brocha, fica a zero. Eles falam muito, mas a maioria dos homens dá uma e pára. E dorme [risos]. É clássico. E ela se irrita. Ela é muito mais difícil de acordar, mas se é bem acordada tem possibilidade de estados orgásmicos intermináveis.
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Tecnicamente as mulheres podem sentir mais do que os homens?
Querida, segundo a ioga milenar, sexo era uma arte elaboradíssima, em que o homem tentava aprender com a mulher como é que ela tinha tanto prazer. O homem tentava imitá-la. O homem pode ir treinando segurar, segurar, segurar e demorar muito tempo. Tudo isso é mais ou menos bem estabelecido, meio falado, mas muito pouco feito. Em primeiro lugar você precisa ter com quem. E admitir o que ninguém admite: “Olha, eu não sei como é, não sei nada, estou cheio de vícios e você também. Vamos tentar reaprender?”. Precisa ter alguém que tenha coragem para dizer: “Não sei nada, vamos começar do começo”.


E o casamento é uma prisão? Nem discuto isso porque para mim é a coisa mais evidente do mundo. Aliás, você jura diante de Deus, das testemunhas, que vai amar até o fim da vida. Não tem cabimento uma coisa dessas.

E isso é impossível? Não acho impossível, mas acho impossível jurar isso. Como é que posso prometer uma coisa dessas? Tinha que ser: “Estou amando você, vamos fazer força para durar”. Agora, “Juro que vai durar a vida toda?”. É a repressão matrimonial. Ou seja, falamos da repressão sexual e agora da matrimonial, que é seguida pela repressão maternal.


Fonte: TPM number 48.
Obra de Yuroz.